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Irmão e irmã indígena, irmão e irmão não
indígena;
Viemos de muito longe, caminhamos pelo
tempo, andamos pela terra, somos arco e
flecha, vento que passa, somos coração e
sangue, o guerreiro e o guardião, o abraço
companheiro.
Acreditam que somos derrotados, mudos,
calados.
Temos muito tempo nas mãos.
Viemos aqui para sermos vistos.
Aqui, para olhar e sermos olhados.
Aqui é dito o nosso nome devido ao nosso
passo.
Somos isso:
Aquele que floresce entre os morros.
Aquele que canta.
Aquele que cuida e faz crescer a palavra
antiga.
Aquele que se fala, aquele que é de milho.
Aquele que mora na montanha, que faz a terra
caminhar
Aquele que partilha a idéia, o verdadeiro
"nós", o ancestral, o senhor da rede, aquele
que respeita a história, aquele que é de
costumes humildes, aquele que fala das
flores, aquele que é chuva.
Aquele que tem o conhecimento para mandar.
O caçador de flechas, aquele que é areia.
Aquele que é rio, aquele que é deserto,
aquele que é mar, o diferente, aquele que é
gente, o rápido caminhante, aquele que é
povo, aquele que é montanha, aquele que é
pintado pela cor.
Aquele que fala palavra legítima.
(Trecho do discurso do subcomandante Marcos
(EZLN), 11 de março de 2001) |

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