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Saiba mais
Do turismo à peregrinação
Em todo mundo, supõe-se que certos lugares
sejam sagrados. Esses lugares são venerados
devido ao que neles aconteceu no passado.
São lugares onde ocorreram experiências ou
revelações sagradas. O que aconteceu no
passado pode, em algum sentido, tornar-se
mais uma vez presente nesses lugares, e,
desse modo, eles podem atuar como portas de
entrada para domínios de experiência que
transcendem as limitações ordinárias do
espaço e do tempo.
Lugares sagrados são geralmente separados do
mundo profano que os cerca por meio de uma
fronteira. Ao atravessar essa fronteira, as
pessoas podem compartilhar a energia do
lugar e manter comunicação com sua
sacralidade; podem participar do processo
pelo qual ele foi consagrado pelas 1ª vezes.
Embora os espíritos dos lugares se esquivem
à analise em termos da ciência mecanicista,
sua importância é implicitamente reconhecida
pelos turistas em suas visitas a lugares que
ficaram famosos em virtude de suas
qualidades particulares e de suas histórias.
O turismo assemelha-se a uma forma
secularizada ou inconsciente de
peregrinação. De fato, muitas atrações
turísticas foram lugares de peregrinação no
passado, e algumas ainda são.
Porém, enquanto os peregrinos visitam um
lugar sagrado como um ato de devoção
religiosa, os turistas o visitam como
espectadores mais ou menos desprendidos. Os
peregrinos participam das qualidades
sagradas do lugar e dos hábitos religiosos
nele praticados; os turistas não. Os
peregrinos somam sua energia à do lugar
sagrado; os turistas a subtraem. Os
peregrinos visitam esses lugares com uma
disposição de mente que se mantém aberta ao
poder ou ao espírito particular desses
locais.
Creio que muitas coisas boas surgiriam de
uma mudança de atitude por meio da qual os
turistas se tornassem peregrinos novamente.
Em nossa vida pessoal e coletiva, a
transformação do turismo em peregrinação tem
um importante papel a desempenhar na
ressacralização da Terra.”
Rupert Sheldrake
O Renascimento da Natureza - O
Reflorescimento da Ciência e de Deus
Ed. Cultrix
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